Pilates na Gestação – Alterações a serem observadas

A gestação é um período único, intenso e profundamente transformador. O corpo da mulher passa por uma sequência de adaptações físicas, hormonais, biomecânicas e emocionais que acontecem semana após semana, preparando-a para gerar, nutrir e trazer uma nova vida ao mundo. Para quem trabalha com Pilates, compreender essas mudanças é essencial para garantir segurança, conforto, acolhimento e, principalmente, um planejamento eficaz e individualizado. Conhecer as alterações que a gestante vivencia não é apenas uma questão técnica é também um ato de cuidado, respeito e valorização desse momento tão especial.

Alterações físicas e biomecânicas

  • Aumento do fluxo sanguíneo;
  • Aumento do volume sanguíneo, ou seja, “A hipervolemia induzida pela gestação é uma adaptação do organismo materno com o objetivo de suprir a demanda do útero hiper vascularizado, bem como para proteger a mãe da perda sanguínea no momento do parto.”  Afirma, Picon et al., (2005).
  • Aumento na frequência cardíaca. O coração trabalha duas vezes mais quando comparado ao de uma mulher não gestante. O útero requer 50% a mais de sangue, dentre outros órgãos, como os rins que necessitam 25% a mais de aporte sanguíneo.
  • Aumento da pressão arterial em repouso;
  • Dificuldade para o retorno venoso;
  • Dificuldade respiratória ocasionado pela compressão do músculo diafragma, com o passar das semanas e crescimento do bebê;
  • Aumento do metabolismo basal, acelerando todas as funções orgânicas
  • Tamanho e peso das mamas aumentam rapidamente;
  • Mudança do centro de gravidade ocasionada pelo aumento da região abdominal;
  • Aumento da pressão dos discos intervertebrais, articulações, cápsulas articulares, ligamentos e músculos;
  • Aumento da mobilidade articular, ocasionado por uma maior liberação do hormônio denominado relaxina, que segundo Scarpa et al. (2006) “As alterações posturais que ocorrem ao longo da gestação possivelmente estão relacionadas aos altos níveis de relaxina, que influenciam a estrutura musculoesquelética”. A relaxina está presente para auxiliar a gestante no processo de acomodação do bebê e para facilitar o parto. Em contrapartida esse hormônio é responsável pela instabilidade das articulações e hiper frouxidão ligamentar;
  • Diminuição do equilíbrio devido à mudança do centro de gravidade;
  • Aumento da pressão intra-abdominal conforme o peso do bebê e o útero crescem gradualmente, causando uma sobrecarga nos músculos do assoalho pélvico;
  • Surgimento de sintomas urinários pela compressão sobre a bexiga;
  • Surgimento de sobrecargas posturais. Podemos observar, aumento da curvatura lombar, protrusão de ombros, anteriorização da cabeça, hipercifose torácica, mudança do centro de gravidade, provocando um aumento de base para buscar o estado de equilíbrio, observa-se também hiperextensão dos joelhos, causado pela ação da relaxina sobre os ligamentos. As alterações posturais sofridas pela gestante poderão ser temporárias ou definitivas, dependendo do planejamento que for realizado durante a gestação.

Alterações hormonais

  • Desde a primeira semana as alterações hormonais começam a acontecer naturalmente, toda a condição hormonal é voltada para a preparação, tanto no auxílio de acomodação, formação e sobrevivência do feto, quanto no preparo do corpo da mulher para receber tais alterações. Os principais hormônios são a progesterona, estrogênio e relaxina.

    “O estrogênio indica a retenção de sódio e água pelos túbulos renais; e quando produzida durante a gestação pela placenta faz com que haja um aumento exacerbado da retenção de líquido no corpo. E ajuda na nutrição do óvulo fertilizado, e em fase de fixação no útero; estimulando também o crescimento contínuo do miométrio o preparando para o parto.” Afirma Silva et al., (2019)

    “A progesterona é o hormônio exatamente responsável pelo encargo de estabilidade do feto na cavidade uterina. Nos epitélios tubar e endometrial, motiva a eliminação de nutrientes necessários para a nutrição do embrião. Também é um inibidor de contrações uterinas, impedindo a expulsão prematura do feto. Por fim, a eliminação do CO2 materno fetal, pelo centro respiratório.” Afirma Silva et al., (2019)

     “A relaxina é um inibidor das contrações do miométrio, estimula o relaxamento dos ligamentos pélvicos e da sínfise púbica, amacia e dilata o colo do útero. Permitindo uma melhor adequação da estrutura pélvica ao útero em aumento e previne o aborto espontâneo, porém facilita a expulsão do feto embora seja no final da gestação.” Afirma Silva et al., (2019)

 Alterações emocionais

Vários fatores emocionais interferem no processo gestacional. A carga hormonal com índices elevados auxilia para aumentar a sensibilidade e interferem diretamente no humor da gestante. As incertezas de um novo mundo, a ansiedade para que nada dê errado, a consciência da responsabilidade de gerar uma vida. Isso tudo influenciará na sua estabilidade emocional, e consequentemente na sua qualidade de sono, no seu físico. Afinal, todo ser humano é uma somatória de emoções, imagine em um período de tantas mudanças. Cabe ao profissional ter essa sensibilidade, saber que o emocional da sua gestante irá influenciar diretamente o seu planejamento de aula.

Conclusão

Entender todas as alterações que acontecem no corpo e nas emoções da gestante é o primeiro passo para conduzir um trabalho realmente seguro e transformador dentro do Pilates. Cada mudança, seja física, hormonal ou emocional, influencia diretamente na forma como essa aluna se movimenta, respira, percebe o próprio corpo e responde aos estímulos da aula. Por isso, o profissional que se dedica a estudar, observar e adaptar seu planejamento contribui para uma gestação mais saudável, funcional e tranquila. Cuidar de uma gestante é cuidar de duas vidas, e o Pilates, quando bem aplicado, se torna um dos pilares mais potentes desse processo.

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Edimara Rabaiolli

Educadora Física
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Pós-Graduada em Anatomia Funcional Humana
Pós-Graduada em Neurociências do Movimento Humano