Pilates na gestação: um olhar para cada necessidade

A gestação é um processo consideravelmente complexo, com inúmeros fatores influenciadores, e deve ser observada com total cuidado e segurança pelos profissionais que irão desenvolver um planejamento de pilates gestacional durante essas quarenta a quarenta e duas semanas, a responsabilidade profissional é a chave para um trabalho de sucesso.

Nessas semanas ocorrerão inúmeras mudanças tanto hormonais, quanto físicas e emocionais. Sendo assim, o profissional deve estar capacitado para desenvolver o seu planejamento de forma segura e aproveitar os benefícios do método sem expor a gestante a nenhum risco. Na gestação o trabalho deve ser direcionado para as necessidades de cada trimestre, sendo o objetivo principal a gestação e suas especificidades.

O planejamento de pilates gestacional é dividido em 3 trimestres, cada um deles com prioridades e direcionamentos diferentes, desde a liberação médica, o trabalho de fortalecimento, alongamento da musculatura, do trabalho de soltura de quadril e assoalho pélvico para o parto propriamente dito, até o pós-parto.

No primeiro trimestre, faz-se necessário a retirada total de exercícios que possam gerar risco de queda e exercícios de impacto, o foco deve ser em exercícios leves e suaves com foco na respiração, recrutamento de musculatura abdominal e de assoalho pélvico, exercícios posturais, trabalho de fortalecimento, mas para gerar manutenção.

O segundo trimestre é a fase em que mais poderemos trabalhar com foco no fortalecimento, preparando tanto para as necessidades da gestação e do parto quanto do pós-parto, fase em que as mamães deverão amamentar, trocar fraldas, dar banho e segurar no colo seu bebê por um longo tempo. Deve-se também priorizar exercícios posturais, de fortalecimento de assoalho pélvico e de mobilidade de quadril.

Já no terceiro trimestre ocorrerá um decréscimo novamente na intensidade dos exercícios, pois, nesta fase final acontecem muitas mudanças e o cuidado deve ser aumentado, então mantenha a prioridade sempre para a segurança da gestante e do bebê. Com relação ao estímulo de assoalho pélvico, a partir da trigésima quinta semana o foco principal será a soltura de assoalho pélvico e movimentos para a articulação do quadril visando à chegada do bebê. Deverão ainda, ser introduzidos exercícios para liberação das costelas e diafragma, pois a gestante poderá sentir ofegância e falta de ar pela compressão dessa região devido ao crescimento do bebê. Contudo, ainda há a necessidade de manter exercícios de fortalecimento, mas com total controle de intensidade.

Conclusão

Conduzir uma gestante ao longo dessas semanas tão intensas exige sensibilidade, conhecimento e uma visão precisa das necessidades de cada fase. O Pilates, quando direcionado com responsabilidade, torna-se uma ferramenta essencial para promover segurança, alívio, força e preparo físico e emocional para o parto e para o pós-parto. Cada trimestre pede um olhar diferente, ajustes específicos e uma escuta ativa do corpo dessa mulher que muda dia após dia. Por isso, o profissional que se dedica a compreender essas particularidades entrega mais do que uma aula entrega acolhimento, funcionalidade e bem-estar. Cuidar de uma gestante é atuar com propósito, garantindo que ela viva esse momento com mais conforto, autonomia e confiança em si mesma.

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Edimara Rabaiolli

Educadora Física
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Pós-Graduada em Anatomia Funcional Humana
Pós-Graduada em Neurociências do Movimento Humano