PILATES E INCONTINÊNCIA URINÁRIA: COMO O MÉTODO PODE TRANSFORMAR SUA SAÚDE PÉLVICA

A incontinência urinária é mais comum do que muita gente imagina. Idosos, gestantes e mulheres no pós-parto estão entre os grupos mais afetados, e essa condição pode impactar significativamente a qualidade de vida dessas pessoas. Mas a boa notícia é que o Pilates pode ser um grande aliado para prevenir e tratar essa condição, fortalecendo a musculatura correta por meio de estímulos específicos, com o controle respiratório e recrutamento do complexo estabilizador, ensinando o corpo a trabalhar de forma integrada e consciente.

O QUE É INCONTINÊNCIA URINÁRIA?

Segundo a Associação Internacional de Uroginecologia, a incontinência urinária é toda a perda involuntária de urina, e pode ser dividida em três tipos, incontinência de esforço, que acontece durante atividades do dia a dia como rir, tossir, espirrar ou carregar peso, incontinência de urgência, caracterizada por um desejo súbito e incontrolável de urinar, e a incontinência mista, quando ocorre uma junção dos dois sintomas anteriores. O enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico ou o descontrole dessa musculatura que sustenta a uretra e a bexiga, pode levar a esse quadro crônico de perda urinária.

Toda abordagem do método Pilates que utilize o controle respiratório aliado ao recrutamento do complexo estabilizador, formado pelos músculos do assoalho pélvico, transverso do abdômen, diafragma e multífidos, pode contribuir significativamente tanto para a prevenção quanto para o tratamento da incontinência urinária. Isso porque os exercícios realizados de forma integrada com a respiração adequada promovem maior sustentação e estabilidade dos órgãos internos, fortalecendo o corpo de dentro para fora.

A IMPORTÂNCIA DO COMPLEXO ESTABILIZADOR

Músculos importantes são recrutados durante a execução dos movimentos, e estes denominamos complexo estabilizador, formado por:

• Músculos do Assoalho Pélvico: esse conjunto de músculos está localizado na base da pelve, com origem na parte anterior (púbis), inserção na parte posterior (cóccix) e extensão de uma parede lateral à outra. Eles são responsáveis por sustentar os órgãos pélvicos e controlar a continência urinária.

A incontinência urinária é mais prevalente em mulheres, sendo influenciada por diversos fatores ao longo da vida. Durante a gestação, o estresse físico e hormonal, somado ao peso do útero sobre os músculos, pode enfraquecer essa musculatura. No parto, rupturas de fáscia ou esforços excessivos podem reduzir a capacidade de sustentação desses músculos, tornando a recuperação mais desafiadora.

No pós-parto, devolver força e consciência ao assoalho pélvico é um desafio, já que o corpo ainda enfrenta alterações hormonais, falta de descanso adequado e exigências diárias, como banho, troca de fraldas e amamentação. Por isso, o fortalecimento do assoalho pélvico deve ser prioridade, assim há a necessidade de incluir estímulos direcionados e estratégias seguras, como o Pilates, que atua no recrutamento do complexo estabilizador e na coordenação respiratória para otimizar a sustentação e funcionalidade desses músculos.

• Transverso do Abdômen: atua como uma cinta interna natural, responsável por manter a pressão intra-abdominal adequada e proporcionar estabilidade à coluna e à pelve. Suas fibras percorrem o abdômen horizontalmente e se conectam à fáscia toracolombar, formando um verdadeiro cilindro de sustentação e proteção dos órgãos internos. A contração do transverso é ativada de forma antecipatória pelo assoalho pélvico, já que ambos compartilham a mesma origem anatômica o púbis. Essa ativação conjunta garante estabilidade central e eficiência nos movimentos.

• Multífidos: são músculos profundos da coluna vertebral responsáveis pela estabilidade postural segmentar. Quando há um déficit de estabilização lombar, ocorre sobrecarga na pelve e aumento da pressão intra-abdominal, o que pode favorecer episódios de incontinência. A ativação dos multífidos acontece de forma antecipatória e sinérgica com o transverso do abdômen, por meio da conexão com a fáscia toracolombar, contribuindo para a sustentação e o equilíbrio do tronco.

Diafragma: principal músculo da respiração, desempenha papel essencial na manutenção da pressão intra-abdominal e na estabilidade do core. Quando o controle respiratório é adequadamente coordenado, o diafragma atua em sinergia com o assoalho pélvico e o transverso do abdômen, participando ativamente do mecanismo respiratório e do controle da continência urinária. Seu funcionamento harmônico é imprescindível para o equilíbrio interno do corpo e para a melhora dos quadros de escape de urina.

Diante de todas essas informações, é possível compreender a importância do trabalho integrado desse complexo muscular. Quando treinados de forma consciente e coordenada, esses músculos, atuam como uma verdadeira unidade de estabilização central, promovendo melhor controle postural, sustentação dos órgãos internos e redução significativa dos episódios de perda urinária.

COMO O PILATES PODE AJUDAR

Levando em consideração todas as informações anteriores, podemos afirmar que a prática regular de Pilates oferece benefícios diretos para quem sofre de incontinência urinária, pois oferecerá:

• Fortalecimento da musculatura pélvica, melhorando o controle da urina.
• Coordenação respiratória adequada, essencial para ativar corretamente o complexo estabilizador.
• Consciência corporal, ensinando a perceber e controlar melhor os músculos que suportam o corpo.
• Melhoria da postura e do equilíbrio, reduzindo sobrecargas sobre a musculatura pélvica.
Estudos recentes comprovam a eficiência do Método Pilates no tratamento e prevenção da incontinência urinária, pois distingue-se de outras modalidades por oferecer de forma intensa o fortalecimento da musculatura profunda ao mesmo tempo que promove alongamento, mobilidade e fortalecimento de outras áreas do corpo (TOIGO; COUTO, 2019).
O PÚBLICO MAIS AFETADO

Durante a gestação, o aumento da pressão sobre a bexiga e o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico tornam mais difícil o controle urinário. Espirrar, tossir ou até rir pode se tornar um momento desconfortável para muitas gestantes.

Já no pós-parto, o corpo ainda está em fase de recuperação. O esforço do parto, as alterações hormonais e o peso da gestação anterior podem deixar o assoalho pélvico fragilizado e mais suscetível à perda urinária.

Nos idosos, o enfraquecimento natural da musculatura, alterações hormonais e, em alguns casos, o uso de medicamentos, também podem comprometer o controle urinário, afetando a autoestima e a qualidade de vida.

Em todas essas fases, o Pilates bem direcionado é um grande aliado.

Através de exercícios que fortalecem o assoalho pélvico, ativam o transverso do abdômen e promovem consciência corporal, o método ajuda na recuperação da força, no controle da pressão intra-abdominal e na retomada da confiança no próprio corpo.

Mas cabe ainda ressaltar que, um trabalho multidisciplinar, envolvendo profissionais como médicos, fisioterapeutas e profissionais da educação física é de extrema importância perante um quadro crônico, o olhar precisa ser amplo sobre os vários fatores causadores.

Conclusão

O Pilates vai muito além do alongamento e relaxamento: ele é um método eficaz para fortalecer o corpo de dentro para fora. Ao trabalhar o complexo estabilizador e coordenar a respiração, ele ajuda a prevenir e tratar a incontinência urinária, devolvendo mais segurança, bem-estar e qualidade de vida para idosos, gestantes e mulheres no pós-parto.

Se você sofre com esse problema, considere incluir o Pilates no seu dia a dia e descubra como movimento consciente e fortalecimento da musculatura profunda podem transformar a sua saúde pélvica.

TOIGO, Adriana Marques; COUTO, Ana Paula Jardim Pires de. Os efeitos do Método Pilates na funcionalidade do assoalho pélvico feminino e na incontinência urinária: uma revisão sistemática. Revista de Atenção à Saúde, v. 17, n. 62, 2019. Disponível em: 

https://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/article/view/6175

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Edimara Rabaiolli

Educadora Física
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Pós-Graduada em Anatomia Funcional Humana
Pós-Graduada em Neurociências do Movimento Humano