Seu corpo precisa mais de exercício no inverno do que no verão. E a ciência explica por quê.
Quando as temperaturas caem, a primeira vontade que aparece é cancelar o treino, ficar em casa e esperar o inverno passar. Parece natural. Mas, curiosamente, do ponto de vista fisiológico, é justamente nessa época do ano que nosso corpo mais precisa de movimento.
Nesse contexto, manter uma rotina de aulas de Pilates é uma excelente estratégia para preservar a saúde, reduzir dores e manter o corpo ativo durante os dias frios.
O frio não afeta apenas a nossa disposição. Ele modifica o funcionamento do organismo, influencia músculos, articulações, circulação, metabolismo e até a percepção da dor. Por isso, interromper a prática de exercícios durante o inverno costuma trazer exatamente o efeito contrário ao que buscamos: mais rigidez, mais dores, menos energia e menor qualidade de vida.
O frio muda o funcionamento do nosso corpo
Nosso organismo trabalha constantemente para manter a temperatura corporal em torno de 37°C. Quando o ambiente esfria, ele ativa diversos mecanismos para conservar calor. Um dos primeiros é a vasoconstrição periférica. Em outras palavras, os vasos sanguíneos das mãos, dos pés e da pele diminuem seu calibre para reduzir a perda de calor para o ambiente. O sangue é direcionado para os órgãos vitais, preservando a temperatura interna. Embora seja uma resposta natural e necessária, ela também diminui a circulação nas extremidades. O resultado é um corpo mais “duro”, músculos menos aquecidos e maior sensação de rigidez ao realizar movimentos simples do dia a dia.
Por que sentimos mais dores no inverno?
Essa é uma das perguntas mais frequentes que recebemos em nosso estúdio de Pilates durante os meses mais frios do ano.
A resposta envolve vários fatores.
Com temperaturas mais baixas, os músculos apresentam maior rigidez, ocasionada pela vasoconstrição, os tendões ficam menos flexíveis e o líquido que lubrifica as articulações fica mais viscoso. Some a isso a tendência natural de nos movimentarmos menos durante o inverno e, assim, temos um cenário perfeito para o aumento das dores.
Quem já convive com artrose, hérnias de disco, tendinites, dores lombares, cervicalgias ou limitações articulares costuma perceber esse efeito de forma ainda mais intensa. Não é que o frio cause essas doenças. Mas ele favorece um ambiente em que os sintomas podem ficar mais evidentes.
Movimento é um aquecedor natural
Existe um remédio extremamente eficiente para combater essa rigidez: movimentar-se.
Sempre que um músculo se contrai, ele produz calor. Esse aumento da temperatura melhora a circulação, aumenta a elasticidade muscular, favorece a lubrificação das articulações e permite que os movimentos aconteçam com mais conforto e eficiência.
Além disso, o exercício estimula a liberação de endorfinas e outras substâncias capazes de modular a dor e promover sensação de bem-estar.
É muito comum um aluno chegar ao estúdio dizendo que acordou “travado” e terminar a aula sentindo o corpo leve, solto e com muito menos desconforto. Isso não é apenas uma percepção subjetiva. É fisiologia acontecendo. É justamente por isso que as aulas de Pilates são tão recomendadas durante o inverno: elas aquecem o corpo naturalmente, melhoram a mobilidade e ajudam a reduzir dores e limitações.
O inverno também pode favorecer quem busca emagrecer
Outro ponto interessante é que o frio aumenta a demanda energética do organismo.
Para manter a temperatura corporal estável, o corpo precisa produzir calor, processo conhecido como termogênese. Isso faz com que exista um aumento do gasto energético em comparação com ambientes de temperatura neutra.
É importante fazer uma ressalva: esse aumento não é suficiente, sozinho, para provocar emagrecimento significativo. Ele é apenas um fator fisiológico que você pode utilizar a seu favor. Quando essa resposta natural do organismo é associada à prática regular de exercícios físicos e a uma alimentação equilibrada, cria-se um ambiente metabólico bastante favorável para a perda de gordura e a manutenção da massa muscular.
O maior risco do inverno não é o frio. É o sedentarismo.
O problema não é a temperatura baixa. O verdadeiro desafio é que, durante o inverno, muitas pessoas diminuem drasticamente seu nível de atividade física. Em poucas semanas já é possível observar perda de condicionamento, redução da mobilidade, diminuição da força muscular e aumento das dores. Quanto mais tempo ficamos parados, mais difícil se torna voltar. É um ciclo: o frio aumenta a rigidez, a rigidez diminui a vontade de se movimentar e a falta de movimento faz a rigidez aumentar ainda mais.
Onde entra o Pilates?
Para quem procura um estúdio de Pilates, o inverno é uma das melhores épocas para começar uma rotina de exercícios.
Edimara Rabaiolli
Educadora Física
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Pós-Graduada em Anatomia Funcional Humana
Pós-Graduada em Neurociências do Movimento Humano