Pilates virou o novo treino de força? Descubra o motivo do hype!
Pilates é muito mais do que alongamento. É uma excelente opção para o ganho de massa muscular. Ao contrário do que se pensa, ele não é apenas alongamento, grande parte dos exercícios trabalha força.
E o que mais o diferencia? A forma organizada e inteligente de estimular a hipertrofia. Ele promove o desenvolvimento muscular de maneira completa, aumentando tanto o volume do músculo que denominamos hipertrofia radial, com exercícios de força, quanto o comprimento, hipertrofia longitudinal, com exercícios de alongamento e mobilidade. Esse processo é denominado Hipertrofia Organizada.
Desenvolver a hipertrofia organizada é devolver a funcionalidade ao corpo, sua capacidade de se movimentar com eficiência e naturalidade. É transformar um corpo “velho” em um corpo jovem. Um corpo saudável requer equilíbrio entre força e flexibilidade.
O mais fantástico é que, muitas vezes, isso acontece no mesmo movimento, envolvendo vários músculos e atingindo diferentes objetivos ao mesmo tempo. Um estímulo completo e eficaz quando o objetivo é saúde, qualidade de vida e longevidade.
Vamos entender melhor?
Hipertrofia Radial (força)
Mas como acontece o aumento do volume do músculo?
Uma das características do Pilates é utilizar o próprio peso corporal para o trabalho de força e tonicidade muscular. Quando a prática é realizada em aparelhos, há a utilização de molas como fator estimulador, tanto para assistir quanto para resistir ao movimento.
O Pilates fortalece o corpo como um todo, os exercícios buscam a contração submáxima, essencial para o ganho de força, e é nesse momento que a hipertrofia radial acontece. É pela contração submáxima que ocorre a produção de novos sarcômeros (unidades contráteis do músculo) em paralelo, ou seja, aumento do volume muscular.
Produção de sarcômeros em série:
O mecanismo que gera hipertrofia radial durante uma contração submáxima é determinada pela liberação de determinados hormônios como o GH (hormônio do crescimento) produzido pela hipófise e IGF (fator de crescimento insulínico) produzido pelo fígado.
Novos estudos ainda constataram que, o músculo mesmo no decorrer do processo de envelhecimento e hipotrofia da hipófise tem a capacidade de produzir seu próprio anabolizante fisiológico, denominado MGF (fator de crescimento mecânico) produzido na presença de estímulos de contração submáxima.
E como sei que alcancei a contração submáxima?
Contração submáxima nada mais é do que sentir a “queimação muscular” durante a execução do exercício, sem perder a qualidade do movimento e sem atingir a fadiga completa, conseguindo executar o movimento com técnica perfeita e controle total.
Hipertrofia longitudinal (alongamento e flexibilidade)
Alguns fatores influenciam diretamente o desenvolvimento da flexibilidade, como postura, peso, idade, processos degenerativos, estilo de vida e lesões pregressas. Além disso, depende da relação entre ossos, tecido conjuntivo (fáscia) e alongamento dos músculos que circundam a articulação.
A hipertrofia longitudinal influencia diretamente no aumento do comprimento do músculo, ou seja, o nível de alongamento e flexibilidade. O fator responsável por esse processo é a produção de NOS (óxido nítrico sintetase), que ocorre na junção miotendínea por meio de uma tensão submáxima, a qual estimula a produção de proteína intramuscular, resultando em novas unidades sarcoméricas posicionadas em série, ou seja, aumentando o comprimento do músculo.
Produção de sarcômeros em série:
E como percebo que alcancei a tensão submáxima?
A tensão submáxima é sentida durante um exercício de alongamento em que há a sensação do estiramento muscular, mas de forma controlada e segura, precisamente na junção miotendínea, onde o músculo se conecta ao tendão.
Conclui-se, portanto, que o Pilates desempenha um papel extremamente diferenciado em relação a outras modalidades, como modulador do trofismo muscular, pois colabora de forma eficiente tanto para o ganho de massa muscular quanto para a melhora da flexibilidade. Isso ocorre porque o método estimula diretamente a contração e a tensão submáxima, ou seja, a hipertrofia organizada, garantindo controle, qualidade e segurança na execução dos movimentos.
Educadora Física
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Pós-Graduada em Anatomia Funcional Humana
Pós-Graduada em Neurociências do Movimento Humano