Nossos idosos precisam de cuidados, sim, mas acima de tudo precisam de independência. Cuidar de verdade não é ajudar a calçar uma meia, e sim estimular para que não percam a habilidade de realizar tarefas simples como essa.
Muitas vezes, na intenção de proteger nossos pais e avós, acabamos assumindo funções que eles ainda poderiam desempenhar. O problema é que essa “proteção” excessiva pode trazer prejuízos significativos para a independência física, autoestima e autoconfiança. O monitoramento das capacidades e o estímulo ao exercício físico são os maiores gestos de amor que podemos oferecer.
Exercícios que conectem benefícios físicos, cognitivos e emocionais são o caminho mais assertivo. E é justamente aí, que o NeuroPilates se torna um aliado poderoso, pois vai muito além de ser apenas um método de exercício, ele integra corpo e mente, refletindo de forma poderosa na parte cognitiva, função esta degradada pelo processo de envelhecimento juntamente com a diminuição de massa muscular.
No NeuroPilates, cada exercício é cuidadosamente individualizado e ajustado às limitações e necessidades de cada aluno. O foco está no desenvolvimento da força, mobilidade, equilíbrio, agilidade, coordenação motora, atenção e concentração. Por meio de estímulos variados em cada aula, o método estimula a criação de novas conexões cerebrais, promovendo uma integração completa entre corpo e mente, o verdadeiro método do movimento inteligente.
Quais são as principais necessidades dos idosos e como o Pilates pode ajudar?
Idoso precisa de equilíbrio
O processo natural de envelhecimento afeta diversos sistemas do corpo, incluindo o vestibular, responsável pelo equilíbrio. Isso pode causar tonturas, náuseas, instabilidade e aumentar o risco de quedas, impactando diretamente na autoconfiança e na interação social do idoso.
Exercícios do NeuroPilates que trabalham equilíbrio, força e controle do core ajudam a reduzir esses riscos, pois a sustentação da posição de equilíbrio requer que vários sistemas trabalhem em conjunto. Movimentos aparentemente simples, como manter-se apoiado em apenas um pé, podem ser grandes desafios e necessitam ser trabalhados em uma aula de pilates bem elaborada. Contudo, é essencial garantir segurança, oferecendo sempre um apoio próximo. Uma queda nessa fase da vida pode significar incapacidade permanente ou até mesmo risco de óbito.
Existe uma ligação íntima entre a melhora do equilíbrio e a consciência no recrutamento dos músculos do core. Por isso, é fundamental associar a cada movimento um processo respiratório adequado, com ativação de músculos como o transverso do abdômen, o assoalho pélvico e os multífidos. Esse conjunto de músculos garante manutenção da postura e sustentação da posição de equilíbrio. Além disso, o mecanismo respiratório contribui para um estado de concentração e presença plena, elementos essenciais para manter o equilíbrio com eficiência. Com um treino focado nesse recrutamento em conjunto com uma boa consciência postural o idoso automatizará esse recrutamento, transferindo para as suas tarefas do dia a dia, resultando em uma postura correta e equilibrada.
Idoso precisa sentar e levantar do chão
Movimentos funcionais como sentar e levantar do chão podem se tornar grandes obstáculos devido à falta de força, rigidez e dores articulares. Quando esses gestos deixam de ser praticados, o idoso perde ainda mais a habilidade de realizá-los.
No NeuroPilates, a relação entre exercícios e necessidades do dia a dia é essencial. Preparar o corpo para que o idoso consiga executar essas ações com segurança é um dos principais objetivos do planejamento de aula.
Devolver funcionalidade ao idoso é devolver vida e fortalecer sua autoestima. Quando eles retomam tarefas que há muito tempo não realizavam, conquistam não apenas força muscular, mas também força emocional. Atos simples, como pegar um papel no chão, não precisam ser um desafio, devem ser apenas mais uma tarefa cotidiana a ser executada com segurança e autonomia.
Idoso precisa de força
Com o envelhecimento, ocorre a sarcopenia, ou seja, a perda progressiva de massa muscular. A prática de exercícios de força é a maneira mais eficiente de combater esse processo degenerativo. Estudos recentes mostram que, mesmo com o declínio da função da hipófise, glândula responsável pela liberação de hormônios do crescimento muscular, o corpo se adapta, e o próprio músculo se torna capaz de produzir hormônios que promovam o ganho de massa. No entanto, isso só ocorre mediante estímulo adequado por meio de exercícios de força. Saúde e bem-estar estão diretamente ligados à quantidade de músculo que possuímos, portanto, o fortalecimento muscular é essencial para uma velhice saudável.
E ainda, estudos recentes apontam relação direta entre a falta de força nos membros inferiores e o desenvolvimento de demência. Mais um ponto importante para que, essa valência física seja prioridade no planejamento do Pilates.
Sem força muscular, não há agilidade, equilíbrio, resistência ou coordenação. Idosos precisam ser desafiados com exercícios que promovam contração submáxima, limitar-se apenas a alongamentos pode comprometer ainda mais a autonomia.
Idoso precisa de mobilidade específica
Cada idoso traz consigo sua história, suas sobrecargas posturais e suas particularidades, um planejamento eficiente precisa respeitar essas especificidades. Com o envelhecimento, há alterações na cartilagem, como menor produção de líquido sinovial, o que aumenta a rigidez articular e limita a amplitude de movimento. Nesse contexto, o NeuroPilates pode oferecer uma gama de exercícios que visam melhora da mobilidade articular e também aumento do espaço intra-articular, reduzindo o estresse sobre as articulações e consequentes dores e desconfortos.
O olhar para essas inúmeras especificidades requer uma análise previa minuciosa. Essa avaliação deve permitir identificar desequilíbrios ósseos, articulares e musculares, além de reconhecer as posições funcionais que o idoso apresenta maior dificuldade de execução e as articulações com maior rigidez. E assim, com essas informações em mãos traçar um planejamento ainda mais assertivo para ganho de mobilidade. Esse olhar individualizado garante resultados consistentes, devolvendo funções e ampliando a qualidade de vida.
Idoso precisa de múltiplos estímulos
A diversidade de estímulos em uma aula é fundamental. Cada novo desafio proposto cria conexões cerebrais e novos caminhos neurais, processo comprovado pela neurociência, e que se denomina neuroplasticidade, a qual refere-se à capacidade do sistema nervoso de se adaptar a novos estímulos e experiências. Isso significa que o cérebro é maleável e pode se adaptar e remodelar a todo instante.
Trazer para o mundo do NeuroPilates esse conceito atual é caminhar junto com a ciência. Promover um planejamento com as bases da neurociência é oferecer criatividade e dinamismo com conhecimento, fator essencial para o desenvolvimento da aprendizagem, memória, habilidades motoras e processamento sensorial. Isso significa um cérebro mais jovem, com maior capacidade cognitiva.
Outro aspecto relevante é que quando colocamos o corpo frente a várias possibilidades o preparamos para que este se movimente com eficiência diante de qualquer exigência motora do dia a dia, um corpo mais ágil em todas as direções.
Portanto, para o idoso um planejamento de Pilates criativo e dinâmico onde a base é variar exercícios e propor estímulos constantes, ajuda a desenvolver um corpo com habilidades muiltidirecionais, e ainda, cria a chamada “reserva cognitiva”, protegendo o cérebro e retardando o declínio das funções mentais.
Idoso precisa de coordenação, atenção, concentração e agilidade
Essas valências estão diretamente ligadas à autonomia, tomada de decisões e a capacidade de gerenciar a própria vida. A coordenação motora, fina ou ampla, interfere em tarefas simples como segurar uma xícara, vestir-se ou calçar os sapatos. Já a atenção, memória e concentração são fundamentais para atividades básicas, como cozinhar ou participar de uma conversa.
Exercícios específicos do NeuroPilates podem auxiliar na preservação dessas funções, principalmente quando o planejamento for executado de forma variada e dinâmica, atuando inclusive na prevenção de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.
Outro aspecto importante, é a vivência de exercícios com foco em agilidade e tempo de reação, pois são indispensáveis para reduzir quedas, e melhoram a capacidade de resposta do corpo diante de obstáculos inesperados. Em outras palavras, agilidade é sinônimo de longevidade com segurança e eficiência.
Conclusão
Estimular a independência dos nossos idosos é cuidar diretamente da sua autoestima. É oferecer amor em forma de autonomia, garantindo longevidade com qualidade. Mais do que viver mais, o importante é viver melhor, com alegria e independência.
Educadora Física
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Pós-Graduada em Anatomia Funcional Humana
Pós-Graduada em Neurociências do Movimento Humano